Pechincha italiana?

Primeiro, dá uma espiada nos vídeos abaixo.


Este é o estádio que a Juventus de Turim inaugura hoje em um amistoso contra o Notts County. O estádio custou 120 milhões de euros, algo em torno de R$ 280 milhões.

Pegue-se o mesmo número, mas inverta-se a ordem dos dois primeiros algarismos, e teremos os R$ 820 milhões previstos (por enquanto) para a construção do novo estádio do Corinthians, o tal Itaquerão, provável palco da abertura da Copa 2014.

O dinheiro do estádio corintiano, como se sabe, vem, em sua maioria, de empréstimo do BNDES e de isenção fiscal da prefeitura paulistana. Tem também um troco, algo entre R$ 46 e R$ 70 milhões, que será investido pelo Governo do Estado de São Paulo para atender às exigências da FIFA para a abertura.

Existe uma diferença de tamanho entre os dois estádios? Sim: o estádio da Juve tem capacidade para 41 mil lugares. O do Corinthians, 48 mil, mas com o troco que será cedido pelo Governo de SP o número vai aumentar, provisoriamente, para 68 mil.

Se generosamente considerarmos 68 mil como capacidade final do Itaquerão (e não é, porque 20 mil lugares são provisórios), podemos dizer que o estádio da Juventus tem apenas 60% da capacidade do Itaquerão. Custa, em compensação, apenas 34% do estádio brasileiro!

Pode ser que o preço do concreto e de outros materiais, assim como a mão-de-obra, seja bem mais baixo na Itália, mesmo em euros, do que no Brasil? Pode, mas não é o mais provável, convenhamos.

Portanto, para que não fique uma desagradável impressão sobre o uso desnecessário de dinheiro público, seria legal que a construtora Odebrecht incluísse no site oficial sobre a construção do estádio os valores detalhados de cada item do Itaquerão.

Enquanto isso não acontecer, suspeitas ficarão no ar.

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O negócio Neymar

Por essa grana, tem que ir de terno (foto Vip)

Diz o Estadão que Neymar foi vendido para o Barcelona por 60 milhões de euros e que se apresenta ao time catalão apenas em 2013. O presidente do Santos, Luis Álvaro de Oliveira, nega o negócio, como é óbvio que faça. Não só porque dirigentes costumam negar negociações que se consolidarão apenas no futuro, mas também porque o Santos pode enfrentar justamente o Barcelona pelo Mundial de Clubes no fim deste ano – o que poderia gerar suspeitas e críticas incomodas ao jogador.

Versões e negativas à parte, o negócio, se confirmado, será daqueles que trará benefícios a todas as partes. E será uma transação da qual Luis Álvaro de Oliveira, o mesmo que hoje a desmente, poderá se gabar. Por que?

1)      A ida de Neymar  para a Espanha é inevitável, mais cedo ou mais tarde. Se o negócio for confirmado nos moldes divulgados pelo Estado, o Santos conseguirá manter o jogador no Brasil por mais de um ano, ainda. Cenário impensável há alguns dias, quando se considerava junho de 2012 o limite para sua saída.

2)      O Santos terá fechado a maior venda da história de um clube brasileiro (60 milhões de euros) e, de quebra, conseguirá receber pelo seu jogador 33% a mais do que o valor previsto em sua multa rescisória.

3)      Além do benefício financeiro da venda, o Santos, que recebe 30% da receita publicitária de Neymar, seguirá lucrando por mais 15 meses com o jogador (hoje, apesar do salário de R$ 1,3 milhão, essa receita é mais que suficiente para o clube pagar o atleta).

E para o Barcelona, que torraria 60 milhões de euros e esperaria 15 meses para contar com o jogador, o negócio valeria? Então:

1)      O Barcelona, agora, pode dizer sem medo que não precisa de Neymar. Tem um time impecável do ponto de vista ofensivo, com Messi, Pedro e Villa. E ainda tem o recém-chegado (e ótimo) Sanchez, de 23 anos. Entre os três titulares na frente, Villa é o mais velho, tem 29 anos. Neymar, quando chegar por lá, estará com apenas 20 anos, ainda! E Villa terá 31. Bom momento pra começar a se pensar numa transição.

2)      Se no modelo de negócio divulgado o Barcelona não poderá contar com Neymar em 2012, o fato de contratar o craque santista lhe garante um benefício indireto: a certeza de que o jogador não atuará pelo arquirrival Real Madrid, onde, aí sim, poderia fazer grande diferença já em 2012.

3)      Resta o questionamento sobre o valor: pagar 33% a mais do que a cláusula de rescisão parece absurdo? Parece. Mas é um jeito de garantir a chegada do cobiçado Neymar e de tirá-lo do maior rival. E 60 milhões de euros é muito? É. Trata-se da quinta maior transação da história do futebol, atrás apenas de Cristiano Ronaldo, Zidane, Kaká e Figo. Mas, hoje, não parece loucura acreditar que Neymar pode entrar neste seleto grupo.

Além disso, convenhamos, o valor é apenas 2 milhões de euros a mais do que o Chelsea acabou de pagar para tirar Fernando Torres do Liverpool. Relativamente, sob esse ponto de vista, Neymar pode sair até barato…

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Mancha na suspensão

Mancha Alviverde, atualmente banida dos estádios, protestou contra Ricardo Teixeira no domingo

Não simpatizo com torcidas organizadas, pelo contrário. Sei como funcionam, o que costumam pregar e o quanto muitas delas têm interesses que vão bem além da vitória de “seus” times. Interesses “bélicos”, políticos ou financeiros, basicamente. Até por isso, em geral, não faço distinção entre organizadas. Com raras exceções, pouco importa o clube, pouco importa o nome da torcida.

Dito isso, está claro, não pretendo defender as organizadas e tampouco condenar novos vetos que eventualmente venham a ser impostos a essas organizações. Mas é discutível a decisão da Federação Paulista de Futebol (e não do Ministério Público, lembremos) de banir dos estádios a torcida Mancha Alviverde por causa do episódio ocorrido no clássico de domingo entre Palmeiras e Corinthians, quando dois integrantes da mesma torcida foram baleados, ainda não se sabe por quem.

A organizada, em seu site, responsabiliza a Polícia Militar pelos episódios ocorridos em Presidente Prudente. A Polícia Militar, por sua vez, não descarta a possibilidade de equívoco de um de seus membros no clássico. Espera-se apuração, portanto. Mesmo assim, preventivamente, a Federação Paulista de Futebol resolveu suspender a torcida.

Em entrevista ao site da ESPN Brasil, Marco Pólo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol, disse o seguinte: “É um absurdo falar que policial atirou. Se algum policial atirou, ele cometeu um deslize e será punido pela corporação. Mas policial não sai dando tiro a esmo”. É curioso que Del Nero classifique uma hipótese de absurda para em seguida admitir sua possibilidade e classificá-la como eventual “deslize”.

Corre nas redes sociais teoria que atrela a suspensão da Mancha Alviverde a certas faixas levadas por essa mesma torcida no clássico de domingo. Faixas que pediam a saída de Ricardo Teixeira do comando da CBF. Vale lembrar que, como a principal organizada corintiana não fez manifestação semelhante, a Mancha Alviverde foi a maior torcida a aderir ao movimento #ForaRicardoTeixeira no clássico – outras torcidas menores e torcedores isolados, tanto de Palmeiras como de Corinthians, também aderiram.

Lembremos ainda que uma outra federação, a Federação Catarinense de Futebol, tentou, antes da rodada do último fim de semana, proibir os torcedores de se manifestarem contra Ricardo Teixeira durante os jogos disputados no estado. E em São Paulo, desta vez, a suspensão à Mancha Alviverde não foi imposta pelo Ministério Público como costuma ocorrer, mas pela Federação Paulista de Futebol.

Claro que tudo não passa de uma teoria conspiratória, certo? Nós não acreditamos que a reação rápida e enérgica da Federação Paulista de Futebol (que nem sempre é tão rápida e enérgica) possa ter sido motivada por ser uma espécie de represália à torcida que resolveu chiar mais alto contra Ricardo Teixeira. Até imaginamos que Teixeira não ficaria chateado com esse “agrado”, mas não acreditamos nessa possibilidade, né? Ou será que acreditamos?

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Todos os brasileiros da Série A

Thiago Ribeiro: novidade do Cagliari

Fechada a janela de mercado para contratações na Itália, já dá pra afirmar: são 39 os brasileiros com condições de disputar a Série A do Campeonato Italiano 2011-12, que ocorre (se a greve não voltar a atrapalhar) a partir do dia 9/9, sexta-feira.

Houve queda em relação aos 44 brasileiros que começaram o campeonato passado.

A lista inclui desde protagonistas, como o trio milanista formado por Robinho, Pato e Thiago Silva, até jogadores que devem iniciar a temporada nos times de base de seus clubes – mas com chances de subir –, como os recém contratados Jean Chera (ex-Santos, hoje no Genoa) e Fernando Campanharo (revelado no Juventude, hoje na Fiorentina).

Só três dos 20 times não têm brasileiros em seus elencos: Bologna, Catania e Napoli. Mas o número pode subir para cinco caso a Juventus consiga negociar o atacante Amauri para um país onde a janela de mercado ainda não fechou. Aguardemos. Se for o caso, atualizo aqui.

Na Série A 2011-12, a Inter é o time que conta com mais brasileiro, seis, seguida por Roma e Fiorentina, ambas com quatro.

Abaixo, a lista completa (imagino não precisar explicar as legendas das posições, certo?). Dê uma espiada e responda nos comentários: qual será o destaque brasileiro do campeonato?

ATALANTA: Adriano (M)

CAGLIARI: Nenê (A), Thiago Ribeiro (A)

CESENA: Éder (A)

CHIEVO: Luciano (M)

FIORENTINA: Neto (G), Felipe (Z), Rômulo (LD), Gustavo Campanharo (M)

GENOA: Zé Eduardo (A), Jean Chera (M)

INTER: Júlio César (G), Lúcio (Z), Maicon (LD), Jonathan (LD), Thiago Motta (V, naturalizado italiano), Philippe Coutinho (M)

JUVENTUS: Amauri (A, naturalizado italiano)

LAZIO: André Dias (Z), Matuzalem (V), Hernanes (M)

LECCE: Júlio Sergio (G), Fabiano (Z)

MILAN: Thiago Silva (Z), Pato (A), Robinho (A)

NOVARA: Jeda (A)

PALERMO: Rubinho (G)

PARMA: Fabiano Santacroce (Z, naturalizado italiano), Zé Eduardo (V)

ROMA: Juan (Z), Cicinho (LD), Fábio Simplício (V) e Taddei (M)

SIENA: Ângelo (LE), Reginaldo (M)

UDINESE: Danilo (Z), Neuton (LE) e Barreto (A)

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Posse + chutes = nada. Parte 2

E a tese se confirma. A exemplo do que houve na 18a rodada (veja o post da semana passada), nesta 19ª o número de finalizações e a posse de bola de cada time pouco significou para determinar o vencedor.

Dos cinco clássicos em que houve um vencedor na rodada, apenas no GreNal o time com mais finalização saiu vencedor. E mesmo assim a posse foi equilibrada nesta partida, com ligeira vantagem para o derrotado Inter: 51 x 49%.

Nos demais clássicos com vencedores, os números, segundo a Footstats, foram os seguintes:

Fluminense 1 x 2 Botafogo
Fluminense teve 58% de posse e chutou 15 vezes contra 13 do Botafogo

Palmeiras 2 x 1 Corinthians
Corinthians teve 55% de posse e chutou 14 vezes contra 12 do Palmeiras

Atlético-MG 1 x 2 Cruzeiro
Atlético teve 54% de posse e chutou 12 vezes contra 8 do Cruzeiro

Figueirense 2 x 3 Avaí
Figueirense teve 60% de posse e chutou 31 vezes (!) contra 12 do Avaí

Será só coincidência?

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#ForçaRicardoGomes

Ricardo Gomes faz um ótimo trabalho no Vasco e é candidato a melhor técnico do Brasil nesta temporada – arrumou um time que caía pelas tabelas no início do ano, conquistou a Copa do Brasil e agora está (forte) na briga pelo título brasileiro.

Mas tudo isso, agora, pouco importa.

Ao saber do seu problema de saúde, no meio da rodada do Brasileirão, não pensei em nada disso. Só me veio à cabeça que Ricardo Gomes é das raras exceções entre os técnicos brasileiros. Um dos poucos sujeitos no mundo do futebol cujas reações não são condicionadas pelo resultado.

Porque a educação, o equilíbrio e a coerência de Ricardo Gomes não dependem de uma bola mal chutada, de um erro do árbitro ou de um pênalti desperdiçado por seu atacante. Entre tantas outras coisas mais importantes, suas entrevistas coletivas são reflexo do seu caráter.

E não à toa que a palavra “caráter” tem sido usada em nove entre dez manifestações de colegas desejando pronto restabelecimento a Ricardo Gomes. É que figuras como ele são raras, e não só no futebol. Então fica aqui, neste post, mais uma das muitas manifestações: #ForçaRicardoGomes.

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A seleção do DM

Aquilani na maca: taí uma cena comum

O Milan contratou ontem o volante Aquilani, ex-Juventus, Liverpool e Roma. Só que seu histórico de lesões fez com que chegasse em Milão com um cláusula curiosa no contrato: em princípio, Aquilani chega por empréstimo. Mas, se fizer pelo menos 25 partidas na temporada, o Milan passa a ser “obrigado” a contratá-lo, por 6 milhões de euros.

O caso de Aquilani, que é ótimo jogador mas se machuca mais do que joga, não é único. E daí pintou a ideia de montar uma seleção do Departamento Médico, com a ajuda do amigos do Twitter. Foi um sucesso. Como a quantidade de sugestões foi grande e a seleção só tinha leitos para 11, incluo aqui uma seleção reserva.

Aviso: em relação à seleção que divulguei ontem via Twitter,  Cicinho, da Roma, ganhou a vaga de titular de Jonathan, da Inter. Eles disputavam vaga. Mas ontem mesmo, no primeiro jogo da temporada como titular, Cicinho voltou a se machucar.

Seleção titular, no 4-4-2 clássico:
Marcos, Cicinho, Juan, Nesta e Fábio Aurélio; Heargreaves, Aquilani, Rosick e Deco; Robben e Van Persie. Técnico: Dr. Tostão

Seleção reserva, num 4-3-3 bem ofensivo:
Buffon, Jonathan, Woodgate, Daniel Agger e Chivu; Essien, Carlos Alberto e Lincoln; Pato, Fred e Owen. Técnico: Dr. Osmar de Oliveira

Dá pra melhorar? Se sim, sugestões são bem vindas abaixo. E o Pedrinho fica fora dessa! Ele já parou.

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