O dinheiro alheio

Eto'o: “Dá licença? Posso ganhar meus trocados?”

Samuel Eto’o resolveu jogar no Anzhi, da Rússia. Atuará numa liga menos prestigiosa do que a italiana, é verdade. Mas ganhará para isso o maior salário já pago na história do futebol: 20,5 milhões de euros anuais, o que significa algo em torno de R$ 4 milhões de reais por mês.

Para que nós, mortais, tenhamos uma ideia: com essa grana, o camaronês poderá comprar 160 carros populares por mês (não que isso tenha alguma utilidade, claro). Numa conta mais chocante, receberá pouco mais de R$ 7.400 por minuto jogado, se considerarmos sua atuação por tempo integral em seis partidas mensais.

Seu salário será consideravelmente maior do que os dos melhores jogadores do mundo, como Messi e Cristiano Ronaldo – segundo o Futebol Finance, eles recebem de salários dos seus clubes, respectivamente, 10,5 e 12 milhões de euros por ano.

Aos 30 anos – portanto, já na fase descendente da curta carreira de jogador –, Eto’o abre mão de maior consagração esportiva (mais conquistas relevantes, individuais e coletivas) por dinheiro.

Leve-se em consideração que seriam desprezíveis, mesmo na Itália, suas chances de ganhar o prêmio de melhor do mundo da Fifa. Nas atuais circunstâncias da Inter, aliás, até mesmo os títulos italiano e europeu seriam objetivos difíceis de serem alcançados nessa temporada.

Portanto, convenhamos, não há muito para discutir sobre a decisão de Eto’o. Quem o faz pertence àquela categoria tão comum entre os torcedores brasileiros: a categoria que não tem problema algum em abrir mão do dinheiro…  dos outros.

Sobre Gian Oddi

Jornalista, é hoje comentarista dos canais de televisão ESPN e ESPN Brasil. Trabalhou por sete anos como editor da revista e do site de Placar. Em duas passagens pelo portal iG, onde esteve por mais de cinco anos, foi editor de esportes e editor-executivo de esportes, ciência e tecnologia. Morou por um ano em Roma, produzindo matérias para a Placar e outras publicações da Editora Abril. Do Brasil, foi colaborador do diário espanhol Marca. Editou por seis anos o blog A Bola na Bota, sobre futebol italiano.
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6 respostas para O dinheiro alheio

  1. Keli Minatel disse:

    Competência do empresário dele que conseguiu essa façanha ou o Anzhi está com um poço de petróleo jorrando sem limites. Pensar em aposentaria aos 30 anos, com esse salário… uuhuh. Ai que inveja! Isso que é ter segurança na velhice! Vale lembrar aqui lembrar da discriminação que ele poderá sofrer, lá! Salário compensatório e indenizatório?

    • Gian Oddi disse:

      Ele também sofreu com problemas semelhantes na Itália e na Espanha, né?
      Abs

      • Keli Minatel disse:

        Acho que isso deve ser tema/campanha de greve e paralisações no futebol, na Espanha e Itália. A discriminação. Não a porcentagen de salários para fundos para salários não pagos. O futebol europeu seria o mesmo sem os jogadores “agregadores” (brasileiros, africanos)? Outra: Será que daqui alguns anos o futebol asiático não terá o mesmo nível técnico e tático do futebol europeu com a migração de jogadores e técnicos? (e com um diferencial… os danados correm… muito). Perspectivas… 5 ou 10 anos?

  2. Alexandre Pedreira-RJ disse:

    Bom dia!!!

    Veja só vc,Eto (já rico) vai para o mundo ex-Soviético ganhar o maior salário da história (até quando ?) , e faz com que as pessoas deixe a hipocrisia de lado. Quando um jogador brasileiro faz a mesma opção de carreira,ele é atacado por várias frentes,parecendo algo não possível, imoral, injusto ou até mesmo ,puro ciúme. Ora bolas, como pode um cara,sem educação,sem intercâmbio,sem Cultura,sem investimento da Família, que só sabe correr e chutar uma bola, ter acesso a uma coisa que jamais terei. A oportunidade quando bate à porta, tem que ser bem aproveitada em qualquer Mundo, seja ele, Estrutura Familiar, Ocasional, Investimentos…….. , e também em Mundos Árabes,ex-Soviéticos,Asiático….. , ou aqui mesmo, em Terras Tupiniquins. abs!!

  3. Braitner disse:

    Olha só, finalmente de volta à blogosfera!

    Concordo com os argumentos. Ruim é pra Inter, que perdeu o melhor jogador e, pelo jeito, não vai ter cancha pra buscar outro do mesmo nível. Pro Eto’o tá ótimo, agora é só rir à toa e torcer pra não ser vítima de racismo na Rússia.

    A pergunta é: o que ele vai fazer com aquele apartamento em Milão que custou oito dígitos?

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