As voltas de Fiorentina e Juventus (e o saco do fair play)

Fiorentina e Juventus estão, enfim, de volta à Liga dos Campeões.

Empatar por 2 x 2 com o Lyon, na França, teria sido um baita resultado para a Fiorentina. Teria. Mas a choradeira dos torcedores da Viola já começou. Não só pelo resultado, já que os italianos venciam por 2 x 0 com dois gols do recuperadíssimo Gilardino, mas pela forma como saiu o segundo gol do Lyon.

É que, quando Benzema fez o primeiro gol do Lyon, Zauri estava caído no chão, machucado — e o fato de ele ter deixado o campo depois, na maca, faz supor que não estivesse simulando. O Lyon não parou o jogo, e essa é a crítica.

Mas, cá entre nós, essa história de Fair Play já encheu, passou dos limites. Jogo de futebol é assim: neguinho cai no campo a toda hora, às vezes até sem faltas terem sido cometidas. É a dinâmica do esporte, um esporte de contato.

Se o árbitro notar que o caso é grave, como uma pancada de cabeça ou uma fratura exposta, que pare o jogo, óbvio. Mas, caso contrário, que deixe a bola rolar, como deixou. Até porque, como sabe qualquer um que assista futebol, o que não falta é espertalhão se jogando no chão para ganhar uns minutinhos (no Brasil, então…).

Só é uma pena que um gol do gênero tenha saído justo contra a Fiorentina. Reconhecidamente o time de maior fair play da Itália.


Del Piero vibra com gol exibindo vigor físico para Ranieri: ele quer jogar todas?
(Getty Images)

E a Juve voltou à Liga como nos velhos tempos. Jogou menos que o novo-rico Zenit, foi mais atacada do que atacou e venceu por 1 x 0, com um golzinho de falta de Del Piero — desviado, diga-se.

O mesmo Del Piero, que, dizem, andava bicudo por ter sido poupado no jogo contra a Udinese. Mas eu custo um pouco a acreditar: ou será que Del Piero e Trezeguet acham que podem jogar o tempo todo? E, no fim das contas, eles não podem reclamar: ficaram com o filé, a Liga.

Sobre Gian Oddi

Jornalista, é hoje comentarista dos canais de televisão ESPN e ESPN Brasil. Trabalhou por sete anos como editor da revista e do site de Placar. Em duas passagens pelo portal iG, onde esteve por mais de cinco anos, foi editor de esportes e editor-executivo de esportes, ciência e tecnologia. Morou por um ano em Roma, produzindo matérias para a Placar e outras publicações da Editora Abril. Do Brasil, foi colaborador do diário espanhol Marca. Editou por seis anos o blog A Bola na Bota, sobre futebol italiano.
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4 respostas para As voltas de Fiorentina e Juventus (e o saco do fair play)

  1. Mauricio disse:

    Sobre o lance, eu acho que se o Benzema estivesse do lado do goleiro e se aproveitando de um jogador machucado para ficar na banheira e fazer o gol, seria mancada. Neste caso, por favor, o próprio lance (mesmo se o jogador caído não existisse) era já de dúvida. O Benzema poderia ou não estar impedido. Ele veio de trás e estava participando da jogada normalmente. Não tem nada que ver. Chatice de fair play.

  2. Valter Junior disse:

    Gian, o Gilardino seria o atacante de um técnico só?
    Abs

  3. Gílson disse:

    É, definitivamente fair play é uma coisa que precisa de uma revisão urgente. Edmundo, que teve aquela reação calma e ponderada na final da Copa/98 quando Rivaldo bondosamente parou um ataque e colocou a bola para lateral ao ver um francês – acho que era o ZZ – estatelado no gramado, poderia ser o ícone do novo fair play. Ah, e no bolão da CL também cravei Chelsea. Não tinha palpite para artilheiro, mas cravaria o Drogba. O grupo deles é desnivelado. E o cara mandou muito bem na charge aqui embaixo. Sensacional!

  4. Pedro Funchal Teixeira disse:

    Por ser estudante de jornalismo e querer um dia me tornar um formador de opinião, prefiro acreditar que o comentário do editor de esportes do IG, ao dizer que o Flair Play “já encheu”, seja por um profundo desconhecimento da crise na ética social, e não por uma falta de ética própria. Um movimento como o Fair Play deveria não ser uma exceção, e sim uma prática cotidiana, dentro e fora dos campos! Como o próprio autor do artigo disse, aqui no Brasil os jogadores vivem “caindo” pra ganhar um tempinho, cavar uma falta ou ganhar qualquer vantagem que seja, e assim como eles, a população vive dando um “jeitinho” para tirar vantagem das mais diversas situações, seja saqueando a carga de um caminhão acidentado, comendo no supermercado sem pagar, parando em fila dupla, ou outro cometendo outro pequeno delito de uma lista interminável de escusas prática cotidianas, que caracterizam uma completa falta de ética da sociedade. Por fim, e ao contrário do articulista Gian Oddi, espero que o “Fair Play” se intensifique e ultrapasse as arquibancadas, para que um dia, quem sabe, cada cidadão faça do Fair Play uma prática diária.

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