Au Revoir les Enfants

Pronto. Foi-se a França, do chato do Domenech (gosto de repetir isso, confesso). A Itália vai às quartas-de-final contra a Espanha e, se passar, mantida a lógica, deveria enfrentar a Holanda, que vem jogando o melhor futebol da Eurocopa e a quem os italianos devem, também, a sua vaga.

Mas a Itália, que pela camisa poderia ser apontada como favoritíssima tanto contra os espanhóis como contra os holandeses, não o é. E nem por isso é o caso de demonizar o técnico Roberto Donadoni, que já errou e acertou nessa Euro.

Até porque, convenhamos, se algumas de suas escolhas durante esses três jogos passados foram bem questionáveis, o futebol que se viu em campo não foi, em nenhum dos três jogos, daquele sofrível que a Itália não raro costuma exibir nas primeiras partidas das grandes competições que disputa.

Hoje, no fim do primeiro tempo, o amigo Maurício Teixeira dizia por MSN que “A Itália nunca atacou tanto nos útimos dez anos”. Brincando, discordei lembrando dos 15 minutos do segundo tempo da semifinal da Copa contra a Alemanha, embora concordasse que no primeiro tempo os italianos poderiam já ter resolvido a parada (o que houve com o Toni!?) — para isso pesou muito o homem a mais, diga-se.

Mas o que se viu no segundo tempo, apesar do jogador a mais, foi uma pressão evitável mas normal de uma (fragilizada, né?) França que precisava vencer a qualquer custo. Os franceses não chegaram lá — graças também, de novo, a uma excepcional defesa de Buffon —, e De Rossi, um dos melhores em campo e de quem Donadoni abriu mão no primeiro jogo, ainda marcou o segundo gol num lance de sorte.

E agora? Depois de sua primeira vitória e melhor partida na Euro, Donadoni manterá a equipe para enfrentar os espanhóis? Não, porque não poderá. Gattuso e Pirlo estão suspensos e, em seus lugares, Ambrosini e Aquilani devem começar jogando ao lado de De Rossi — tanto que os três terminaram, juntos, o jogo desta terça.

Não acho que as mudanças comprometam — pelo contrário, aposto muito em Aquilani. E não acredito em outras mudanças, embora não goste de Perrota nessa função de armador. Mas a verdade é que, com exceção de Aquilani, que já vai jogar, não há no elenco atual alguém que possa desempenhar essa função muito melhor (Camoranesi, talvez um pouco). E antes que alguém se apresse em me contestar, Del Piero não joga como meia há quase uma década.

Vou parar por aqui, sem fazer previsões nem perguntas. E, sobretudo, sem dizer que “quando a Itália passa de fase desse jeito etc etc etc”. Isso todo mundo já disse. E aliás, é bom que se diga, nem sempre é verdade.

Sobre Gian Oddi

Jornalista, é hoje comentarista dos canais de televisão ESPN e ESPN Brasil. Trabalhou por sete anos como editor da revista e do site de Placar. Em duas passagens pelo portal iG, onde esteve por mais de cinco anos, foi editor de esportes e editor-executivo de esportes, ciência e tecnologia. Morou por um ano em Roma, produzindo matérias para a Placar e outras publicações da Editora Abril. Do Brasil, foi colaborador do diário espanhol Marca. Editou por seis anos o blog A Bola na Bota, sobre futebol italiano.
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9 respostas para Au Revoir les Enfants

  1. Ernesto Pastl junior disse:

    Desde a última Copa ganha pelo juiz brasileiro para a Itália, que seus jogadores são de mediocridade tamanha. Como podem falar do centroavante que o jogo todo defedeu contra sua própria seleção. O timinho ruim…………………

  2. césar disse:

    ficou difícil entender o que o sujeito aí de baixo quis dizer… mas a itália ganhou pelo juiz?!?! onde? não foi pênalti? o cara não devia ter sido expulso por impedir um gol certo?? me poupe… aliás, a itália foi prejudicada nos dois primeiros jogos. acorda, amigo. e assista aos jogos da euro antes de basear seus comentários em clichês bestas

  3. Riccardo disse:

    Mais uma vez, parabéns pelo equilibrio na análise, Gian.

  4. Pessa disse:

    Maldade chamar o Toni de Quase Gol?

  5. renato disse:

    concordo plenamente sobre o perrota. ele deveria ser volante. nao dá pra entender esse cara. cadê o montolivo e o rosina???
    de resto, acho o aquilani mto bom e deveria ser titular no lugar do ambrosini.

  6. Michel Costa disse:

    Vcs já repararam que às vezes o futebol parece querer contar e recontar a mesma história?
    Vejam:
    A Itália jogando no desespero na última rodada da fase de grupos e se classificando de maneira dramática.
    A França sem o seu principal jogador (o agora aposentado Zizou) decepcionando logo de cara.
    A Holanda encantando mas deixando no ar que pode cair mesmo jogando o melhor futebol.
    A Espanha iniciando bem e tentando dizer que ‘agora vai!’ contra uma seleção de mais tradição.
    A Alemanha jogando o já histórico ‘algo muito parecido com futebol

  7. Michel Costa disse:

    Continuando: Não parece que falta imaginação aos Deuses da Bola?
    :-P

  8. Pedro Leonardo disse:

    E logo aos cinco minutos, o Zambrotta arrumou um jeito de compensar aquela falha contra a Romênia…

    Gian, qual é a história desse lenço no pescoço do Buffon?

  9. Cris disse:

    É Sr. Ernesto, time bom é a “selecinha” do Dunga…
    Cassano arrebatador em campo, De Rossi idem.

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